Apocalipse 1 – A Revelação de Jesus Cristo Comentário de C. Mervyn Maxwell

CPB – Aqui você encontra este e mais outros livros sobre o Livro Apocalipse

Introdução

A primeira frase do último livro da Bíblia identifica-o como sendo a “revelação de Jesus Cristo”.

Ele é, pois, uma revelação. Não é algo oculto ou misterioso, embora muitos o imaginem assim. A palavra grega subjacente à ideia introdutória é ‘apocalypsis’, de onde obtivemos o nosso termo Apocalipse, nome pelo qual o livro é, mais comumente conhecido em português. De forma clara e simples, a palavra ‘apocalipse’ significa ‘manifestação’, ‘descoberta’, ‘exposição’ ou ‘revelação’.

Muitas pessoas associam o significado de ‘apocalipse’ com ‘cataclismo’ e ‘desastre’, tal como um holocausto nuclear ou a terceira guerra mundial. Na Bíblia, porém, o Apocalipse é a revelação de Jesus Cristo. Este livro provê lampejos daquilo que Jesus tem feito por trás dos bastidores, do que faz atualmente, e do que ainda fará no futuro, em favor dos seres humanos.

De que modo adquiriu o ‘apocalipse’ esta conotação de ‘dia do juízo final’? Provavelmente, pelo fato de a Revelação pintar vívidos quadros dos desastres humanos. Entretanto, os referidos desastres são apresentados primariamente como uma oportunidade para demonstrar que, em todos eles, Deus procura ativamente confortar e livrar aqueles que nEle confiam. DEUS CUIDA.

O primeiro versículo do livro diz que Deus deu a revelação a Jesus Cristo, o qual enviou o Seu anjo a João, Seu servo. João registrou a revelação (v2) e pronunciou uma benção (v3) sobre todos aqueles que leem as suas palavras sobre os que a ouvem e sobre os que praticam o que no livro está escrito. Acrescenta o verso 10 que João achou-se ‘em espírito’ no dia em que a revelação lhe foi concedida.

Indubitavelmente, o anjo era Gabriel, o poderoso ser, amigo das criaturas humanas, que fora o portador da mensagem divina a Daniel, nas grandes profecias dos capítulos 8 e 9 de seu livro, e que também aparecera a Maria, comunicando-lhe o futuro nascimento de Jesus. Veja Daniel 8: 16; 9:21; S. Lucas 1:26.

A referência à pessoa que lê a revelação (‘lê em voz alta’, no original), faz-nos lembrar que antes da invenção da imprensa, os livros eram raros e muitas pessoas não sabiam ler. Portanto, as Escrituras eram lidas em voz alta, perante um grupo de ouvintes. Jesus leu a Bíblia em voz alta, na sinagoga de Nazaré (veja S. Lucas 4:16 a 20), e o costume prevalecia em todas as congregações judaicas nos tempos do Novo Testamento (veja Atos 15:21). Ainda hoje muitas igrejas cristãs adotam tal prática.

Aqui está, pois, a cadeia de comunicação:

De Deus

para Jesus

pelo ministério de um anjo

a João

no Espírito

para o leitor

para o que ouve e obedece.

A Trindade e os mais exaltados anjos celestiais encontram-se envolvidos em revelar-nos alguns fatos de grande importância acerca de nosso Senhor.

“Ao Seu servo João”. Quando João assentou-se no Monte das Oliveiras, à luz prateada da Lua, a fim de ouvir Jesus proferir o Discurso do Olivete […], era provavelmente uma pessoa ainda muito jovem – assim como Daniel ainda se encontrava em tenra idade ao ser transportado cativo para Babilônia. Agora, tal como Daniel ao encerrar o seu livro, João – encerrando o cânon sagrado com o livro de sua autoria – era um homem idoso e cativo. […]

João endereçou o livro ‘às sete igrejas que se encontram na Ásia’. Ele acrescenta: ‘João, às sete igrejas que estão na província da Ásia: Que a graça e a paz estejam com vocês, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra. […]’ 9v. 4 – 5

Nos tempos bíblicos, as cartas cristãs não começavam como hoje: ‘Querida Maria’ ou ‘Estimado senhor’. Paulo, Pedro e o próprio João utilizaram a saudação cristã: ‘Graça e paz’. Veja Romanos 1:7; I Pedro 1 :2; 11 João 1:3. ‘Graça’ é a bondade de Deus. ‘Paz’,” advém-nos quando cremos que Deus, em Sua misericórdia, nos perdoou. Experimentamos também a paz quando Lhe permitimos que nos ajude a perdoar a nossos inimigos. É um maravilhoso sentimento estar em paz com as pessoas às quais perdoamos, e com Deus, que nos perdoou.

Graça e paz precedem todos os dons que provêm de Deus – e nós sabemos que, no verso 4, é Deus, o Etemo Paj, aquele “que é, e que era, e que há de vir”.

“Os sete Espíritos”. A frase “os sete Espíritos que se acham diante do Seu trono”, faz parte do conjunto de referências ao número sete que encontramos no Apocalipse. Já fomos informados que o livro foi dirigido às sete igrejas (v 4). Antes de chegarmos ao fim do capítulo, leremos a respeito de sete candeeiros (v 12 e 20) e de sete estrelas (v 16 e 20). Noutras partes do livro, leremos acerca de uma besta com sete cabeças (13:1), de um dragão com sete cabeças coroadas (12:3) e de sete montes (17:9), que na verdade são sete reis” (17:9 e 10). As principais divisões do Apocalipse lidam com as sete igrejas que já mencionamos (cap. 2 e 3), com sete selos (4:1 a 8:1), com sete trombetas (8:2 a 11: 18), com sete cenas do grande conflito (11: 19 a 14:20) e com as sete pragas finais (cap. 15 e 16).

Com a presença de tantos “sete” no texto do livro, nós nos apercebemos de que este número representa plenitude, inteireza e perfeição. Quanto aos ‘sete Espíritos que se acham diante do Seu trono’, podemos concluir que eles representam simbolicamente a plenitude e perfeição do Espírito Santo. (Portanto, todos os membros da Trindade não só participam do ato de entregar-nos a Revelação, como também nos saúdam e abençoam.) 0 profeta Isaías, cujo livro não foi baseado no número sete, referiu-se ao Santo Espírito com base em seis de Seus divinos atributos, quais sejam:

‘o Espírito de sabedoria

e de entendimento,

o Espírito de conselho

e de fortaleza,

o Espírito de conhecimento

e de temor do Senhor.’ (Isaías 11:2.)

Característica do Livro. 0 uso múltiplo do número sete alinha-se com a natureza simbólica geral do livro. Bestas e chifres, coroas e mulheres, candeeiros e oliveiras, enxames de gafanhotos procedendo de um abismo profundíssimo e, supremamente, o dragão e o Cordeiro, são apenas uns poucos dos símbolos – semelhantes a personagens de desenho animado – dessa fascinante obra-prima.

Para analisarmos o Apocalipse. bom seria que antes estudássemos os numerosos símbolos encontrados no livro de Daniel, uma vez que o apocalipse se encontra profundamente enraizado em Daniel. Também se acha fundamentado em muitos outros livros do Antigo Testamento. Alguém calculou que, dos 404 versos do Apocalipse, 278 contêm material do Antigo Testamento. Um colega de magistério diz haver encontrado 600 palavras e frases adaptadas do Antigo Testamento. Um estudante de nível avançado declarou-me que encontrou cerca de 1.000 ‘raízes’ do livro no Antigo Testamento. Os elos de ligação entre o Apocalipse e o Antigo Testamento são muito importantes para a compreensão de sua mensagem.

0 Apocalipse é, indubitavelmente, um livro de ‘predições’ embora haja muita compreensão errônea quanto a isso. Algumas pessoas (futuristas) concluíram que o livro é composto quase exclusivamente de profecias cujo cumprimento ~ em relação aos nossos dias – é ainda futuro. Por outro lado, um grupo diferente de pessoas (preteristas) tem afirmado que o livro relata apenas acontecimentos contemporâneos ao apóstolo João. Entre os dois extremos encontram-se aqueles (historicistas) que creem haver o apóstolo falado de cenas relacionadas com os seus próprios dias, mas que ele também falou de acontecimentos que, em relação a nós, ainda se encontram no futuro e que, adicionalmente, foi ele inspirado na antevisão da experiência a igreja cristã ao longo de toda a sua existência.

O terceiro grupo (historicista) deve estar com a razão, pois João foi comissionado a escrever ‘as [coisas] que são [aquelas de seus dias] e as que hão de acontecer depois destas [as que se encontravam no futuro]’. Apocalipse 1:19. Não é possível que o livro tenha sido devotado apenas ao distante futuro, pois o primeiro verso do primeiro capítulo declara que a revelação foi dada para mostrar as ‘coisas que em breve devem acontecer’. 0 verso três acrescenta: ‘0 tempo está próximo’.

Muitas coisas – mas de uma forma todas – todas descritas, estavam ‘próximas’ e ‘em breve [deveriam] acontecer’, em relação aos dias de João. Alguns outros acontecimentos deveriam ocorrer após aqueles primeiros e, por sua vez, outros eventos ainda mais distantes no futuro deveriam vir depois dos anteriores. O Apocalipse não é um aglomerado de eventos que explodem instantaneamente, a exemplo do que ocorre com uma classe de escolares quando o professor abandona a sala. Não pode haver dúvida de que os eventos do final do milênio, descritos em Apocalipse 20, devem ocorrer depois daqueles que terão curso no começo do milênio!

Quando o Apocalipse – no primeiro capítulo, versos 1 a 3 – fala de coisas que ‘em breve’ devem acontecer e que estão ‘próximas’, a referência deve ser entendida em relação ao começo do cumprimento das predições encontradas no livro. Nos dias de João, tais profecias encontravam-se ‘pendentes por um fio’, “ávidas” por iniciar seu desfile na longa jornada através da História. A Daniel fora mostrada uma série de profecias que iniciavam em seus próprios dias e corriam, paralelas, ao longo da História, até chegar aos nossos dias; da mesma forma no Apocalipse, onde várias linhas proféticas se desenvolvem num curso paralelo, dos dias de João até o fim.

Se é verdade que o Apocalipse é um livro de predições, também é verdade que ele é um livro de grandes cânticos. Alguns são sublimemente alegres; outros, incrivelmente tristes. Haendel obteve inspiração para seu oratório “O Messias” em Apocalipse 19:6: “Aleluia! Pois reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso”. Um notável cântico pode ser vislumbrado mesmo no primeiro capítulo, aquele que estamos examinando no presente momento capítulo, aquele que estamos examinando no presente momento:

Àquele que nos ama

   e, pelo seu sangue, nos libertou

       dos nossos pecados, 

e nos constituiu reino, 

   sacerdotes para o Seu Deus e Pai,

a Ele a glória

   e o domínio para todo o sempre. Amém! (Apocalipse 1: 5-6)

O Apocalipse é também um livro de bênçãos. Bênçãos significam o mesmo que beatitudes ou bem-aventuranças, e foi observado que existem sete bênçãos no Apocalipse, da mesma forma que aparecem nove bem-aventuranças no Sermão da Montanha. Veja S. Mateus 5:1 a 12. Nestas, lemos acerca de bem-aventuranças que repousam sobre os pobres de espírito, os puros e os perseguidos. Naquelas, lemos de bênçãos (ou bem-aventuranças) prometidas a todos aqueles que morrem no Senhor (14:13), àquele que vigia (16:15), àqueles que são chamados para a ceia das bodas (19:9), àquele que tem parte na primeira ressurreição (20: 6), àquele que guarda as palavras da profecia do livro (22:7) e aos que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro (22: 14). A primeira desta série de sete bem-aventuranças ocorre no capítulo que estamos analisando: ‘3Bem-aventurado aquele que lê, e bem-aventurados aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo’.

Vamos abrir a Bíblia no primeiro capítulo de Apocalipse. Comecemos a lê-lo, acompanhando tal leitura com uma prece, e descubramos, a partir de agora, a bênção que o Apocalipse entesoura para nós.

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. Você pode ler mais sobre as Bem – Aventuranças de Mateus 5 – 7 aqui

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