Capítulo 1 tema 5: Raízes Mileritas: O Movimento do Sétimo Mês e o “Verdadeiro Clamor da Meia-Noite”

O milerismo encontrou nova vida na reunião campal de Exeter, em New Hampshire, ocorrida em meados de agosto de 1844. Naquela convocação, o pastor milerita S. S. Snow demonstrou convincentemente, aplicando diversos cálculos matemáticos, que o cumprimento da profecia dos 2.300 dias de Daniel 8:14 ocorreria no outono de 1844. Na verdade, por meio de abrangente estudo das cerimônias do ano judaico, Snow predisse que a profecia de Daniel a respeito da purificação do santuário encontraria seu término no judaico Dia da Expiação: o décimo dia do sétimo mês do ano judaico (ver Lev. 23:27).

Snow afirmava haver calculado o dia exato para a purificação, o qual os mileritas ainda interpretavam como a segunda vinda de Cristo. Esse dia, em 1844, segundo o cálculo dos judeus caraítas, estava marcado para 22 de outubro. Assim sendo, afirmou Snow que Cristo voltaria em 22 de outubro de 1844, dentro de aproximadamente dois meses.

A ideia empolgou seu auditório. Deixaram a reunião de Exeter para espalhar sua urgente mensagem tão rapidamente e tão amplamente quanto fosse possível. “Eis o noivo!” – proclamaram eles. “Cristo está vindo no décimo dia do sétimo mês! Breve é o tempo; preparem-se! Preparem-se!” Embora Miller, Himes e outros líderes adventistas hesitassem em fixar suas esperanças num dia definido, o entusiasmo do sétimo mês espalhou-se como fogo em palha por entre a maioria dos crentes.

As palavras de George Storrs nos dão uma ideia do entusiasmo contagiante. Em setembro ele escreveu: “Ergui minha pena com sentimentos nunca dantes experimentados. Não tenho dúvida alguma, em minha mente, de que o décimo dia do sétimo mês testemunhará a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo nas nuvens do céu. Estamos, pois, a poucos dias desse acontecimento. Será um momento de terror para os despreparados, mas de glória para os que estão prontos. Sinto que estou fazendo o último apelo jamais feito por meio do prelo. Meu coração está extravasando. […]  Oh! Deus! Todos temos estado toscanejando e dormindo – tanto os prudentes quanto os loucos; mas nosso Salvador disse que assim aconteceria; e ‘assim as Escrituras são cumpridas,’ e esta é a última profecia referente aos acontecimentos que precedem o advento pessoal de nosso Senhor. Vem agora o VERDADEIRO Clamor da Meia-Noite. O anterior não passava de um alarme. AGORA O VERDADEIRO ESTÁ SOANDO: e oh, como essa hora é solene!” (MC, 3 de outubro de 1844).

Miller, Himes e outros líderes mileritas finalmente capitularam ante a força dos argumentos de Snow. Em 6 de outubro de 1844 Miller escreveu a respeito de seu entusiasmo e esperanças: “Prezado irmão Himes: Vejo no sétimo mês uma glória que antes eu não notara. […] Dá graças ao Senhor, ó minha alma. Abençoados sejam os irmãos Snow, Storrs e outros pelo papel que desempenharam em me abrir os olhos. Estou quase no lar. Glória! Glória! Glória! Vejo que a data é correta. […]

Minha alma está tão absorta que não consigo escrever. Convoco o irmão e todos quantos amam a vinda do Senhor a renderem-Lhe graças por esta gloriosa verdade. Minhas dúvidas, temores e trevas, tudo se dissipou. Percebo que ainda estamos certos. A Palavra de Deus é verdadeira; e minha alma está cheia de gozo. […]Oh! Eu desejaria poder clamar em alta voz. Mas hei de bradar quando ‘chegar o Rei dos reis’.

“Parece que estou ouvindo você dizer: ‘O irmão Miller agora é fanático.’ Pois muito bem, chamem-me do que quiserem. Eu não me importo. Cristo virá no sétimo mês, e nos abençoará a todos. Oh! Esperança gloriosa” (Ibidem, 12 de outubro de 1844; itálicos supridos).

Em 16 de outubro Himes anunciou que o Advent Herald (anteriormente Signs of the Times) deixaria de ser publicado. “Visto que a data do presente número do Herald é nosso último dia de publicação antes do décimo dia do sétimo mês, não tomaremos providência para editar a revista na semana que vem. […] Iremos parar de falar sobre esta fé. […] Aí vem o Noivo; saí-lhe ao encontro!” (AH, 16 de outubro de 1844).

A essa altura, conseguimos apenas imaginar a ansiedade nas fileiras mileritas, mas podemos captar algo dela, se nos perguntarmos: Como eu me sentiria se soubesse que Cristo estaria voltando dentro de poucos dias? Como eu agiria? Como ordenaria minhas prioridades?

Em sua convicção e otimismo, os crentes deram tudo de si num último esforço para advertir o mundo de seu juízo iminente. Não tomaram nenhuma providência em relação ao futuro: não precisavam. Alguns deixaram safras por colher, fecharam lojas e demitiram-se do emprego. Jesus estava voltando. Esse pensamento era na boca como mel, mas, nem suspeitavam eles, seria amargo no estômago (ver Apocalipse 10:8-10).

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