A Bíblia no Banco dos Réus – Parte 2

Este texto é uma transcrição do BibleCast 20b, para o formato de texto, realizado por Ruth Alencar

Continuando de onde paramos, vamos analisar como a crítica textual analisa a Bíblia e vamos ver se a Bíblia suporta esses ataques. Como falamos no estudo anterior , crítica textual é a disciplina que pega as várias cópias dos escritos bíblicos, por exemplo, encontradas pela arqueologia, junta tudo e descobre realmente o que os profetas escreveram.

Um ouvinte nos perguntou: “Os livros de Daniel e Ester foram acrescentados pelo concílio de Trento em 1546 d.C.?

Na verdade, estes dois livros já estavam no Cânon judaico nos tempos de Cristo. O que acontece é que tanto o livro de Daniel como o de Ester tiveram acréscimos apócrifos que são aceitos pela Igreja católica.

Provavelmente esses acréscimos apócrifos foram aceitos neste Concílio em 1546. Entretanto, no 4º século Jerônimo traduziu, direto do texto hebraico, a Vulgata Latina.

O livro de Daniel tem 2 capítulos apócrifos: Bel e o Dragão. O Concílio apenas bateu o martelo em algo que já estava lá na teologia deles. É importante frisar que até o 4º século esses conteúdos apócrifos não existiam. Então, nem Jesus, nem os apóstolos conheceram estes  conteúdos apócrifos.

Qual a prova, então, de que não houve manipulação ou alteração do texto bíblico no decorrer dos anos? Isso incomoda muitos cristãos. o que argumentar diante de tal questão?

Como dito anteriormente, os originais escritos pelos profetas (os ditos autógrafos) já não existem mais, existindo apenas as cópias, e para a análise da crítica textual ter sucesso, quando mais cópias melhor.

A análise das cópias funciona da seguinte maneira:

Pega-se as várias cópias existentes, e, digamos que algum copista copiou errado, por exemplo, o texto “tudo posso naquele que me fortalece” como sendo “tudo passo naquele que me fortalece”. Digamos que um outro copiou “tudo peço naquele que me fortalece” e outro “tudo posso naquele que me fortalece”. Como saber qual é a correta? A primeira análise diz respeito a quantidade de informações, ou seja, verifica-se quantas cópias de “passo”, “peço” e “posso” existem, de que época elas são para ver quem copiou de quem e qual o contexto da frase.

 Sabemos, por exemplo, que no ano 4 surgiu um manuscrito dizendo “peço” e no ano 3 havia outro que também dizia “peço”. Assim é possível determinar qual manuscrito errado gerou as cópias erradas. Vamos supor, agora que exista um manuscrito do ano 1 dizendo “tudo posso”, ou seja, mais antigo e condizente com o contexto. Qual seria, então, o errado?

Isso é só um breve exemplo de como a Crítica Textual trabalha com os textos, de como ela analisa e consegue através dessa análise dizer qual é o texto original.

Nesse exemplo citado, vemos que as palavras “passo/posso/peço” são variantes. Então, suponhamos que existam 7.000 manuscritos dizendo “posso” e 140 dizendo “peço”, isso é uma evidência de qual manuscrito contém o texto correto. Entretanto, não é uma evidência conclusiva, pois suponhamos que tenhamos 1.500 manuscritos dizendo algo, mas são todos do ano 1.500, e podem ser todos cópias erradas. Por isso, a datação também é de suma importância para a crítica textual.

O manuscrito que estiver com a datação mais próximo do original e de seu autor, é provavelmente o mais correto.

Vejamos mais alguns exemplos sobre as variantes.

A variante mais difícil de compreender, desde que não seja absurda, é a variante que tem mais chances de ser a original, pois quando está muito fácil de entender é que algum copista tentou harmonizar e “traduzir” o texto para sua época/vivência.

A variante mais breve é preferível à variante mais longa, pois os copistas tendiam a ampliar o texto acrescentando coisas ou interpretando o texto. Portanto, a mais breve normalmente é também a mais antiga.

Devido a tendência de alguns copistas de harmonizar textos paralelos, a variante mais diferente é preferível àquelas que tornam diferentes textos bíblicos mais semelhantes entre si. Devendo se escolher a variante que se harmonize melhor com as tendências pessoais do autor, com seus métodos, vocabulário, gramática, modo de fazer citações, propósito, ideias e temperamento.

A variante que melhor explica a origem de todas as outras e não pode ser explicada pelas outras deve ser a escolhida.

Ou seja, existem níveis de variantes: A, B, C, D dentro do aparato crítico. A comparação da crítica textual de todos os textos bíblicos existe hoje pronta e se chama aparato crítico. É possível olhar todos os versos bíblicos, ver se eles possuem variantes e qual a chance de cada um ser verdade ou não. Tudo está documentado.  

Você que crê na bíblia como a palavra inspirada de Deus, saiba que nenhuma das variantes hoje têm implicações afeta o conceito de salvação ou doutrina teológica. Todas as variações debatidas hoje não têm implicações no contexto geral ou nas doutrinas de salvação. São variantes ‘bestas’ e que não afetam o corpo teológico da Bíblia como um todo.

Não tenham medo de ler a Bíblia. Não tenham medo de adulterações pois nos textos importantes não há variações. É encontrado o mesmo texto repetido e repetido ao longo dos anos.

As variantes mais gritantes são as cópias tardias C e D. É provável que não estejam no texto original, pois nenhuma das cópias do primeiro século apresentam tais variantes. Na verdade elas só vão aparecer nos manuscritos do quarto século em diante.

É possível ver essas variantes hoje em dia na Bíblia que contém a versão Almeida Revista e Atualizada (ARA). Onde você encontrar colchetes ali estará um acréscimo. Os textos entre os colchetes são textos que podem ter sido acrescentados tardiamente, por isso contém a indicação de colchetes.

Uma curiosidade. O texto recebido é um texto que contém todas as variantes, que são erros dos copistas durante os séculos. Uma versão em português que contém todas essas variantes e que contém o texto recebido é a versão Almeida Revista e Corrigida (ARC). O texto recebido contém todas as variantes que existem, podem ser notas de rodapé, comentários etc.

Você pode lê-la, mas saiba que se você pretende estudar a bíblia a fundo deveria fugir dessa versão, ou, no mínimo, estuda-la tendo em mente que 15% do seu conteúdo do Novo Testamento já foi definido, pela análise textual, como não tendo sido escrito pelos autores originais.

A Crítica textual vai analisando os textos na medida em que os arqueólogos vão descobrindo os textos originais.

E por que se fabrica essa bíblia então? Porque tem gente que gosta. existe um público para ela. A Crítica Textual não exclui nada do texto, ela retira os erros dos copistas. Nós, os cristãos, não acreditamos que os copistas sejam inspirados. Acreditamos que o autor é inspirado.

As outras traduções são mais fiéis, entre elas temos a Nova Versão Internacional (NVI), Bíblia de Jerusalém, a Revista e Atualizada (ARA) por exemplo, estão mais alinhadas com o texto original e as recentes descobertas arqueológicas da crítica textual.

A Revista e Atualizada, por exemplo, não é tão boa para a leitura, não é tão fácil, mas é boa para estudar. São Bíblias traduzidas “ao pé da letra” (literalmente). Elas não traduzem conceitos, traduzem palavras. Elas não interpretam o texto. Isto lhe ajuda a estudar, mas não ajuda a ler.

Como a Almeida Revista e Atualizada não faz a interpretação dos textos algumas expressões acabam por ser mais difíceis de entender. Tomando a expressão “cingir os lombos”, por exemplo. Cingir os lombos significava amarrar as pontas das túnicas para poder correr. Para o judeu significa ‘se prepare”! Equivaleria ao nosso “fica esperto” ou “se prepara”, isso torna a leitura um pouco menos fácil, mas não menos interessante.

Se você quer ler, pegue uma Nova Versão na Linguagem de Hoje, mas saiba que ali há a interpretação do tradutor que pode estar equivocada. As citadas acima são para estudo. Ou seja, você que as interpretará. Por isso, as vezes é enroscado, porque é traduzido ‘ao pé da letra’.

Voltando a versão Almeida Revista e Corrigida (ARC), aquela que tem o texto recebido. Não quer dizer que não possamos lê-la por causa de suas diferenças textuais, mas que, se quisermos estudar por meio dela é preciso saber onde estão as variantes, pois, poderá causar confusão. Assim também as outras versões citadas (à exceção da Bíblia de Jerusalém). Isto para não correr o risco de formar uma doutrina em cima de um texto que não existe no original.

Para citar um exemplo de variante na versão Revista e Atualizada podemos ver o texto de I João capítulo 5 verso 7- 8:

7Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. 8E três são os que testificam na terra]: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito. 

A parte em colchetes não está no texto original escrito por João, na verdade foi adicionado por um copista para, provavelmente, defender a doutrina da Trindade.

Um detalhe da crítica textual é que quanto mais manuscritos para serem analisados melhor. Pois quanto mais textos a serem comparados, mais fácil de encontrar a verdade dentre suas variações.

Vejamos uma análise comparativa da crítica textual bíblica e de outros textos da antiguidade.

Vou dar a vocês a documentação das melhores peças da literatura clássica. Você será informado de quantos manuscritos existem de cada uma dessas obras e depois a comparação com os textos bíblicos. São obras literárias clássicas e reconhecidas por toda a Ciências e vamos compará-la com a Bíblia:

“Há mais de 24.600 manuscritos do Novo Testamento sobreviventes dos primeiros quatro séculos depois de Cristo. Dos manuscritos originais de Platão, existem sete; dos de Heródoto, oito, e a Ilíada, de Homero, tem um pouco mais: 263 cópias. Portanto, há poderosas evidências confirmando a integridade do texto do Novo Testamento.” – HASEL, Frank M. “Como Interpretar as Escrituras”, Lição da Escola Sabatina, 28/03/2020.

O comentário e o gráfico acima não estão no Biblecast original. Foi um acréscimo nosso.

  1. Homero – 643 manuscritos cópias. A cópia mais antiga está a 500 anos de Homero, ou seja, 500 anos depois de Homero. Será que em 500 anos dá para mudar muita coisa? Com certeza. Porém, não há indícios que tal mudança ocorreu. Homero escreveu a Ilíada e a Odisséia. Essas obras nunca sofreram ataques
  • Demóstenes – 200 manuscritos, com a cópia mais antiga sendo de 1400 depois de Demóstenes. Ele escreveu Filipicas e outros. Seu manuscrito mais antigo está a 1.400 anos após sua morte. Essa também é uma obra que não é questionada, pois não há razões para isso apontadas pela crítica textual.
  • Platão – 7 manuscritos, com a cópia após a sua morte 1.200 anos. Um milênio e dois séculos de distância da obra e de seu autor. Veja que não são 700 cópias e sim 7. Muito de nossa cultura tem conceitos inspirados nos ensinos de Platão e sua autenticidade também não é questionada. Até onde sabemos não razão para tais questionamentos.
  • Heródoto – 8 manuscritos, com a cópia mais próxima do autor a 1400 anos.
  • Tácito – 20 manuscritos, com a cópia mais próxima do autor a 1000 anos.
  • César – 10 manuscritos, com a cópia mais próxima do autor a 1000 anos.
  • Plínio (famoso historiador)- 7 manuscritos, com a cópia mais próxima do autor a 750 anos de distância.

Veja que nenhuma dessas obras é questionada. Tendo dito isto, vamos aos manuscritos bíblicos.

Novo Testamento – 5700 manuscritos gregos, mais 9000 manuscritos traduzidos para outras línguas, além disso, existe as citações de outros autores que podem reconstruir a bíblia completamente. No total existem em torno de 15000 cópias da bíblia com todo o cânon. A bíblia é o livro mais bem documentado da história humana. A cópia mais distante do autor original está a, no máximo 25 anos, podendo chegar a no mínimo 10 anos.

Existe um fragmento chamado Papirus-52, que possui a seguinte história: Esse pequeno fragmento foi adquirido no Egito em 1920 para uma biblioteca em Manchester, com 6,5 x 8,5 cm de tamanho, publicado e identificado em 1934 e contem fragmento do texto de João 18:31-33 de um lado e dois versículos de 37-38 do outro.

Com uma escrita identificada como sendo do segundo século, possivelmente de 130. É o mais antigo manuscrito de João conhecido atualmente, escrito enquanto os contemporâneos de João estavam vivos.

Apesar de conter apenas alguns versículos esse manuscrito possui uma história importante para todos os que se identificam como cristãos. Houve um grande teólogo do século XX chamado Rudolph Bultiman que ensinava que o evangelho de João não tinha sido escrito por João e sim posteriormente, por volta do século 3, ensinava inclusive que o Evangelho de João era gnóstico. (vejam a primeira parte para ver sobre o Gnosticismo X Formação do cânone do Novo Testamento ), o que balançou o entendimento cristão da época. Por causa dos seus pensamentos muitos passaram a crer que a Bíblia não fora escrita por seus autores.

Outra teoria que também influenciou a questão foi a Teoria das Fontes que dizia que autores diferentes foram acrescentando coisas a um mesmo livro. Exemplo Gênesis 1 e 2. A ideia da Teoria das Fontes era que Davi havia reunindo os sábios de seu reino para escrever os livros para poder controlar o povo. E Bultiman ratificava esse conceito. Você pode achar estranho, mas acontece que hoje, a teologia cientifica vai por esse caminho.

Se você quiser estudar teologia na Universidade de Salzburg, na Áustria, ou em Harvard ou Oxford, ou Makenzie no Brasil, você vai aprender sobre a Teoria das Fontes. Essa Teoria diz que a Bíblia destrói a fé. Ou seja, não houve milagres, não havia nada. É apenas um compêndio. As histórias foram contadas para manipular as pessoas.

Essa foi um dos pontos para o surgimento do pentecostalismo, que se voltou para o sentimento, pois não seria mais possível o estudo da bíblia. Fé e Sentimento, sem a razão. O que é interessante é que Bultiman se declarava cristão e era um pregador espetacular. Ele era um herege, mas estava lá ativo na igreja, diácono …

Até que Deus fez ser descoberto o Papiro P-52, que demonstrou que o evangelho de João não foi escrito posteriormente, mas que já estavam sendo feitas cópias do original em 130 d.C., esse pequeno pedaço de papiro devolveu a autoria para João e tudo o que Bultiman escreveu pode ser jogado no lixo.

Nesse momento a crítica textual voltou-se para a possibilidade do texto ter sido escrito pelos apóstolos.

Apesar de não termos os textos originais existem três boas razões para Deus não ter preservado os textos.

A primeira é que o texto seria idolatrado e não Deus.

A segunda que ninguém poderia destruir a bíblia, pois não havia apenas o texto original e sim cópias. Em 303 d.C. Diocleciano ordenou a destruição de todo material cristão, e se houvesse apenas o texto original não haveria a preservação do texto.

A terceira e última razão é que ninguém será capaz de alterar uma verdade, as cópias são a maior salvaguarda do texto bíblico. Você pode conseguir alterar um texto original, mas não poderá alterar 5.700.

Se Deus existe, possuindo toda a pré-ciência, por qual razão Ele escreveria uma carta para a humanidade, sabendo que a carta em questão sofreria alterações com o passar do tempo e chegaria alterada ao seu destino final? Então, o próprio Deus está cuidando do texto bíblico, não precisamos nos preocupar.

A crítica textual também se pergunta se há material de apoio, se existem outras pessoas fora do contexto analisado que citaram o texto em questão.

Diocleciano tentou queimar todo o material cristão em 303 d.C., obviamente ele não conseguiu, mas ainda que tivesse conseguido, Tertuliano, Clemente de  Alexandria, Irinieu, Justino Mártir e outros mais dos três primeiros séculos da era cristã citaram 36299 vezes o Novo Testamento. Só estão fora dos textos deles 11 versículos bíblicos. Eles citam todo o resto.

Outro questionamento feito pela crítica textual é se um texto é historicamente confiável. E então? O Novo Testamento é historicamente confiável?

Até o momento, existem 84 detalhes históricos confirmados como nomes de dirigentes, períodos de insurreições e guerras civis, eventos demográficos e etc. Então existem fatos históricos comprovados na Bíblia e que também são confirmados em outros relatos históricos.

Outra pergunta diz respeito a antiguidade dos textos. Quão antigos são os textos da bíblia?

Os livros bíblicos foram escritos antes do ano 120 depois de Cristo, pois a cópia mais antiga encontrada foi o papiro P-52 já citado anteriormente. Só que há m detalhe. Clemente cita onze livros do Novo Testamento em 95 d.C., e Inácio cita 24 livros em 105 d.C., e Policarpo cita 18 em 110 d.C., portanto os livros do NT foram escritos antes de 95 d.C.

Analisando que a pessoa de Jesus morreu em 33 d.C., há diferença muito próxima dos fatos. Outro detalhe é que o Novo testamento foi escrito antes de 70 d.C. porque não cita a destruição de Jerusalém e fala com se a cidade ainda estivesse de pé. O livro de Atos foi escrito antes de 62 d.C., pois termina com Paulo preso e Tiago vivo, e Clemente de Roma registrou a morte de Paulo somente em 68 d.C.  Já Flávio Josefo, registra a morte de Tiago em 62 d.C.

Então não há sentido que o livro de Atos, que relata os atos dos apóstolos, termine a história com essas pessoas vivas se elas já tivessem morrido. É como se hoje escrevêssemos um livro sobre Martin L. King e não citássemos sua morte.

Por fim, estudiosos entendem que os textos bíblicos do Novo Testamento foram escritos entre 40 e 50 d.C.

Relatos de ateus, começando com John A. T. Robinson, autor do movimento A Morte de Deus, assumem que os livros do Novo Testamento foram escritos entre 40 e 65 d.C.. Willian F. Albraight afirma que: “já podemos dizer enfaticamente, que, não há mais nenhuma base sólida para considerar que algum livro do Novo Testamento depois dos anos 80 d.C.”.

Qual a razão e a importância disso? Se um texto é amplamente divulgado dm período contemporâneo e ele é aceito e confirmado.  então ele se confirma. Por exemplo, no texto de I Coríntios 15:3-8, que relata a morte de Jesus, seu sepultamento e sua aparição pós-ressurreição a mais de quinhentas pessoas, Paulo dá testemunho e manda os leitores procurarem as provas, pois muitos ainda estavam vivos e haviam visto os fatos. Por que Paulo está dizendo isso? É como se ele estivesse dizendo ao povo da época: “se duvidam de mim, vão lá e confirmem por vocês mesmos”. (Só para lembrar, quinhentas pessoas, naquela época e contexto era praticamente uma “multidão”.)

Com Jesus morrendo até o ano 34 e o primeiro livro foi escrito entre os anos 40 e 65; a mesma geração que estava lendo era a que viveu os fatos. O pessoal que cuspiu em Jesus, que  O viu carregar a cruz era o mesmo que lia o relato bíblico. Daria, portanto, para saber, pelas pessoas da época, se os fatos se os livros fossem falsos.

Agora, infelizmente, não dá para ter real certeza de os textos de Platão são realmente dele, pois há uma distância de 1.500 anos, assim como Heródoto e outros. Essas coisas são muito mais duvidosas do que o texto bíblico.

Eu creio no texto não é porque eu tenho fé somente, mas eu creio também porque é o livro mais bem documentado da história. Já tentei duvidar dele e não consigo.

Há alguns anos, o arqueólogo e teólogo Rodrigo Silva fez uma apresentação no Encontro do Jesus Histórico, na UFRJ no Rio de Janeiro, e nesse encontro estava presente o Dr. John Dominic Crossan. O principal palestrante e o mais respeitado historiador da pessoa de Cristo da atualidade. Ele não é um religioso e acredita no Cristo histórico.

O interessante, é que a maioria dos estudiosos desse encontro não duvidava da autenticidade do texto bíblico. O dr. em questão, não acredita no Jesus da fé, que é o Filho de Deus e etc, mas acredita na figura histórica de Cristo como um sábio; no entanto não duvida da autenticidade do texto bíblico.

Temos muitos estudiosos nessa área que fazem discurso contra a fé, mas que não duvidam (muito pelo contrário) da veracidade do texto bíblico que não pode ser refutada cientificamente.

Não existem, portanto, dúvidas de que o texto bíblico é verídico ou que foi alterado. O que chegou até nos foi a palavra escrita pelos apóstolos.

Mas e o Antigo Testamento? Pode-se dizer que o antigo se confirma, pois Cristo o utilizou, e para alguns isso bastaria.

Até pouco tempo atrás, na década de 40, o manuscrito mais antigo do Antigo Testamento, era do 15º Século, ou seja, era muito recente para ser verificada sua veracidade, pois a distância seria de no mínimo 1.800 anos dos fatos.

Mas, em 1947, a doze quilômetros de Jericó, a oeste do Mar Morto, a vinte e dois quilômetros de Jerusalém, um menino nômade de 13 anos jogou uma pedra numa caverna e ouviu o som de vasos quebrando e descobriu vários vasos com rolos de manuscritos. Os famosos Manuscritos do Mar Morto, um dos maiores achados arqueológicos da atualidade, que foram escondidos pelos essênios por ocasião de sua fuga do exército romano que vinha para destruir Jerusalém em 70 d.C.

Os essênios esconderam ali sua biblioteca, com todos seus textos, incluindo as cópias dos textos bíblicos. Depois, de 1947 a 1956 foram descobertas onze cavernas, dessas onze cavernas saiam textos bíblicos de 250 a.C. que são bem mais próximos dos autores.

O professor Júlio Barreira, membro da equipe internacional de editores dos manuscritos do Mar Morto, declarou que “o rolo de Isaías, fornece prova irrefutável que a transmissão do texto bíblico durante um período de mais de mil anos por copistas judeus foi extremamente fiel e cuidadosa”. Descobriu-se que os textos dos manuscritos encontrados eram idênticos e melhores (ou seja, sem variantes) que os textos do Novo Testamento.

E descobriu-se também como os escribas judeus faziam a cópia da bíblia. Descobriu-se que era um ato sagrado, que os escribas eram conhecidos como contadores, pois eles contavam as letras. Os escribas copiavam as frases e no final de cada frase contava as letras para conferir se estavam iguais ao original.

Depois era lido linha por linha e procurava-se a letra que estava na metade para servir como referência. Ao chegar à metade da página, as contas e conferências eram refeitas. Ao chegar ao final da página, o processo era repetido.

Se houvesse um erro, o processo era refeito. Ao chegar ao final do livro, o processo era repetido no livro todo novamente. Um detalhe é que não era apenas a contagem que deveria conferir, mas também a posição das letras.

Com essa rigidez os escribas conseguiram ser mais bem sucedido que os copistas do novo testamento e hoje sabemos que o texto que temos do AT é ainda mais fiel que o texto do NT, embora não sendo tão documentado.

Muito bem.  Além de todas essas evidências racionais e científicas existe ainda a evidência da fé chamada profecia. Há muito tempo atrás o livro bíblico falou de coisas que aconteceram e aconteceriam.

Vejam a história de Peter Stolner, que escreveu um ensaio em uma revista científica chamada Science Speaks, na qual ele considerava apenas oito, das quatrocentas e cinquenta e seis profecias existentes no antigo testamento falando sobre Jesus.

Ele calculou qual a chance matemática de uma pessoa acertar, por acaso, apenas oito dessas profecias.

Algumas das profecias escolhidas foram o nascimento de Jesus em Belém, sua vinda precedida por um mensageiro, entraria em Jerusalém montado em um jumento, seria traído por um amigo e discípulo, sua venda por 30 moedas de prata e etc.

E com essas oito profecias ele calculou que supondo que elas se cumprissem por acaso, as chances de uma pessoas acertar são de 1 em 1017 , ou seja 1 em 100 quatrilhões. Só para sabermos, a probabilidade de um avião ou um meteoro cair em nossa cabeça é uma em vinte mil.

Para ter uma ideia do que são cem quatrilhões, ele fez a seguinte explicação: marca-se uma moeda de 25 centavos, espalha-se os cem quatrilhões em moedas sobre todo o estado do Texas. Isso daria aproximadamente 60 cm de altura em moedas, aí escolhe-se uma pessoa vendada e pede-se para encontrar a moeda marca. Será que é possível?

Podemos duvidar de várias coisas. Podemos duvidar da divindade de Jesus, podemos duvidar da existência de Deus, mas não dá pra duvidar que o relato bíblico é falso ou sofreu alterações com o passar dos anos.

Você tem evidências suficientes de que a bíblia que está em minhas mãos e em suas mãos é aquilo que Cristo e os apóstolos queriam que chegassem em nossas mãos.

Evidências de fé.

Evidências científicas e de razão.

A Bíblia é digna de confiança. Não há razão para duvidar do seu conteúdo. Não há porque duvidar de sua autoria.  Não há porque duvidar da maneira como ela foi organizada. Não dá para duvidar das previsões que ela faz para o futuro. Temos evidências para seguira Bíblia Sagrada.

Independente do que a ciência diz. Independente do que a razão nos diz, temos razões além dela. Razões de fé para crer.

Deus colocou a Sua Palavra na terra com tudo o que era necessário nela para que você acreditasse. O que você precisa é usar seus esforços e energia para viver o que ela lhe diz.

Não tenham medo de questionar, o que você precisa é estar envolvido com ela. É isso que Deus quer.

A Bíblia no banco dos réus – parte 1

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