A Cidade dos Sonhos de Deus

Sermão pregado pelo Pastor Wilson Paroschi  na Iasd do UNASP, Campus Engenheiro Coelho.
 
Transcrição:
 
Abramos a Bíblia no Evangelho de Lucas 19: 41 – 44.
 
41Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. 42“Como eu gostaria que hoje você compreendesse o caminho para a paz!”, disse ele. “Agora, porém, isso está oculto a seus olhos. 43Chegará o tempo em que seus inimigos construirão rampas para atacar seus muros e a rodearão e apertarão o cerco por todos os lados. 44Esmagarão você e seus filhos e não deixarão pedra sobre pedra, pois você não reconheceu que Deus a visitou.”
 
A cena não poderia ser mais comovente. Era a última viagem que Jesus faria a Jerusalém e Ele tinha a plena consciência da triste sorte que o aguardava ali.


Betfagé – Panorama of modern Bethphage (© Custodia Terrae Sanctae) Fonte foto: http://www.seetheholyland.net/bethphage/



Ele vinha de Jericó e nas proximidades de Betânia e de Betfagé, no lado oriental do Monte das Oliveiras e Jesus ordenou a dois dos Seus discípulos que Lhe encontrassem um pequeno animal que Lhe servisse de montaria para Sua entrada triunfal em Jerusalém. E dali do monte das Oliveiras se descortinava uma visão extraordinária da cidade.
 
No primeiro plano estava o grandioso complexo do Templo, cujo portal de ouro ao ser iluminado pelos raios do sol da manhã, reluzia em meio aquelas paredes de mármore branco que o emolduravam. E atrás do Templo e abaixo, milhares de outras casas e edificações se amontoavam na parte alta sobre a Colina de Alfeu. Cercado por torres, muralhas poderosas, que pareciam inexpugnáveis e que desafiavam a força e a engenharia das nações inimigas.


 

Panorâmica de Jerusalém vista da vertente oriental da torrente do Cédron, junto do Jardim das Oliveiras. No lado esquerdo da foto, vê-se a cúpula e a torre da basílica da Dormição. Foto: Leobard Hinfelaar. Fonte da foto: http://www.pt.josemariaescriva.info/artigo/jerusalem3a-na-intimidade-do-cenaculo

 

Era o tempo da Páscoa. Judeus de todos os lugares da nação e do mundo estavam ali reunidos para celebrar a grande festa nacional. E, em meio aos hortos e vinhedos e por toda a encosta verdejantes que ladeavam a cidade, as tendas dos milhares de peregrinos davam um colorido adicional a cena.
 
Calcula-se que a população de Jerusalém, que era em torno de 30.000 habitantes em Jerusalém na época, ia para em torno de 200.000. A agitação e o barulho eram enormes, mas ninguém se importava. A ocasião era de festa, de reencontros, de celebrações. E, todos irradiavam a alegria e descontração a despeito de qualquer problema, a despeito de qualquer dificuldade. E, ao contemplar um cenário como aquele qualquer filho de Israel estremeceria de alegria e de emoção, mas com Jesus foi diferente.
 
Embora estivesse arrodeado por uma multidão de discípulos e admiradores, que aclamavam com júbilo: ‘Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor!”, o texto que acabamos de ler diz que Jesus chorou sobre a cidade.
 
Enquanto muitas vozes O aclamavam como Rei, como o Messias prometido, Seu coração foi tomado de angústia e dor ao antever os eventos fatídicos daquela semana festiva. A cruz do Calvário já Lhe transpassava o coração. Mas, não por causa do sofrimento que a cruz Lhe traria, mas pelo significado daquele ato para a cidade de Jerusalém e seus habitantes. Muitas daquelas mãos que agora agitavam ramos de palmeiras se voltariam para Ele numa fúria selvagem. Muitas daquelas vozes que agora entoavam hosanas e glórias a Deus em breve clamariam, de forma cruel e impiedosa, por Sua crucificação. Selando assim sua longa história de ingratidão e de apostasia.
E, as consequências seriam as piores possíveis. Deus escolhera Jerusalém para ser o palco das mais estupendas revelações do Seu amor e de Seu caráter nesta Terra.
 
Bem antes que o Templo existisse Jerusalém talvez não passasse de uma fortaleza sobre a colina de Alfeu, lado sul do Monte Moriá, Ele orientara o patriarca Abraão a ir aquele monte, o Monte Moriá e ali oferecesse a Isaque, seu único e querido filho. O Monte Moriá não era outro senão aquele que 900 anos mais tarde o Templo seria construído.
 
O mesmo local, portanto, em que o sistema sacrifical seria estabelecido de modo definitivo e em cujo altar Jesus talvez morreria caso não fosse rejeitado por Israel. Deus revelou ao pai da fé de forma clara, inequívoca, os mistérios insondáveis do plano da redenção.
 
Diante da pergunta de Isaque: pai, eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” – Deus proverá para Si, meu filho, o cordeiro para o holocausto. Não fazendo ainda a menor ideia do alcance do significado profético daquelas palavras.
 
Mas, quando ele levantava o cutelo para tirar a vida do filho, Abraão ouviu a voz de Deus, explicando que aquilo não era senão um teste de fé. E, ao lhe mostrar o cordeiro preso pelos chifres entre os arbustos o idoso patriarca pode compreender o tremendo sacrifício que Deus faria pela redenção da humanidade.
 
Falando sobre aquele momento o apóstolo João em seu evangelho no declara o seguinte: “Seu pai Abraão exultou com a expectativa da minha vinda. Ele a viu e se alegrou”. (João 8: 56). No Monte Moriá, antes que o Templo sequer existisse, Deus já preanunciara o Evangelho a Abraão, como diz o apóstolo Paulo em Gálatas 3:8 – ‘As Escrituras previram esse tempo em que Deus declararia os gentios justos por meio da fé. Ele anunciou essas boas-novas a Abraão há muito tempo, quando disse: “Todas as nações da terra serão abençoadas por seu intermédio’.
 
Jerusalém é uma cidade muito antiga que remonta ao terceiro milênio, bem antes de Abraão, portanto. Mas, como eu disse, é provável que no tempo de Abraão ela não passasse de uma fortaleza sobre a Colina Alfeu, do lado sul do Monte Moriá.
 
Melquisedeque é mencionado na Bíblia como o rei de Salem, que talvez seja uma referência a Jerusalém. A primeira vez que Jerusalém é mencionada na Bíblia é em Josué capítulo 10, no contexto da conquista de Canaã. Nesta época a cidade pertencia aos canaanitas. Foi somente nos tempos de Davi, 300 anos depois de Josué, que ela foi conquistada e transformada na capital de Israel.
 
Capital, primeiramente política e depois religiosa, quando o Templo foi construído. E, foi Salomão que edificou o templo e organizou suas cerimônias e atividades. O Templo tinha várias funções:
1- servir de morada para o Deus Altíssimo no meio do Seu povo para que a promessa feita a Abraão se tornasse uma realidade. Deus dissera a Moisés: “E, me farão um Santuário para que Eu possa morar no meio deles.” A intenção divina era ter um povo santo na Terra para que Ele pudesse chamar de Seu e que não tivesse nenhum Deus além dEle.
 
“Confirmarei a minha aliança com você e seus descendentes, de geração em geração. Esta é a aliança sem fim: serei sempre o seu Deus e o Deus de seus descendentes. 8Darei a você e a seus descendentes toda a terra de Canaã, onde hoje você vive como estrangeiro. Será propriedade deles para sempre, e eu serei o seu Deus”. (Gênesis 17:7)
 
E o Templo, a morada de Deus entre Seu povo, era o sinal dessa aliança.
“Farei com eles uma aliança de paz, uma aliança permanente. Eu lhes darei sua terra e os multiplicarei e estabelecerei meu templo no meio deles para sempre. Sim, eu habitarei no meio deles. Serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E, quando meu templo estiver entre eles para sempre, as nações saberão que eu sou o Senhor, que santifico Israel”. (Ezequiel 37: 26 – 28)
2- Para que Deus, que é santo, pudesse morar no meio do Seu povo, Ele tinha que criar um meio para expiar o pecado do Seu povo. Perdoar os pecados do Seu povo. Um povo pecador não conseguiria viver em meio ao Deus Santo. E o Santuário não consistia, senão, de uma parábola viva do plano da redenção. Uma explicação clara, palpável, tangível de como Deus lida com o problema do pecado. Como Ele perdoa e elimina o pecado do pecador arrependido.
 
Algumas pessoas se perguntam tantas vezes ‘por que tanto sacrifício?’ ‘Por que tanta morte?’, Por que tanto sangue?’
 
O sistema sacrifical do Antigo Testamento visava exatamente ensinar ao mundo as verdades acerca da redenção, a cerca de Cristo. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A sra. White, em um de seus livros, diz que o momento do sacrifício era muito sagrado, muito solene. Ela diz que o sacerdote colocava a vítima sobre o altar como muito respeito, com muita reverência. Então, ele explicava em detalhe aos adoradores o significado daquele ato. Como aquela pequena criatura apontava para o significado do sacrifício perfeito do Filho de Deus. O único que podia realmente propiciar perdão. E salvação.
 
Mas, o propósito de deus para com o Templo e toda Jerusalém não dizia respeito apenas aos filhos de Israel. ‘Em ti serão benditas todas as nações da face da Terra’, disse Deus a Abraão. O propósito último, o propósito supremo era que Jerusalém fosse uma benção para o mundo. Ele fixaria ali a Sua morada e em Seu Templo ensinaria as verdades à cerca do plano da redenção. Para que então eles pudessem levar essas verdades a todo o mundo. Em outras palavras, Jerusalém deveria ser um modelo e um centro evangelístico para o mundo.
 
Encontramos uma profecia em Isaías 2: 1 – 5 descreve bem este propósito divino evangelístico para Jerusalém: “Esta é uma visão que Isaías, filho de Amoz, teve acerca de Judá e Jerusalém: Nos últimos dias, o monte da casa do Senhor será o mais alto de todos. Será elevado acima de todos os outros montes, e povos de todo o mundo irão até lá para adorar. Gente de muitas nações virá e dirá: “Venham, vamos subir ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó. Ali ele nos ensinará seus caminhos, e neles andaremos”. Pois a lei do Senhor sairá de Sião; sua palavra virá de Jerusalém. O Senhor será mediador entre os povos e resolverá os conflitos das nações. Os povos transformarão suas espadas em arados e suas lanças em podadeiras. As nações deixarão de lutar entre si e já não treinarão para a guerra. Venham, descendentes de Jacó, vamos andar na luz do Senhor!”
 
Este era o propósito de Deus para com a cidade de Jerusalém. Colocada na encruzilhada do mundo antigo, Jerusalém deveria funcionar como um centro evangelístico para o mundo inteiro para que este chegasse ao conhecimento do plano da redenção e fosse por Ele salvo.
 
Quando chegasse o grande momento, quando o próprio Filho de Deus viesse para cumprir todo aquele simbolismo sacrifical e depor a Sua vida sobre o altar. Este deveria ser um momento de arrependimento, de consternação. Primeiro para toda Jerusalém, todo Israel e quem sabe, se possível também, para todo o mundo.
 
A morte de Jesus não precisaria ter sido tão violenta como foi. Jesus não precisaria ter sido traído, nem vendido por umas poucas moedas de prata. Ele não precisaria ter sido açoitado, ofendido, humilhado. Ele não precisaria ter sido zombado, escarnecido, nem mesmo ter sido pregado numa cruz. A pior das mortes! Não era para ter sido assim!
 
Nós sabemos que sem derramamento de sangue não há remissão de pecado. Mas, a Sua morte não precisaria ter sido tão cruel e sangrenta como foi. Nós não sabemos exatamente como seria. Mas, talvez o quase sacrifício de Isaque nos ensine alguma coisa.
 
Talvez Jesus caminhasse voluntária e silenciosamente em direção ao Templo sobre o Monte Moriá e ali depusesse a Sua vida em sacrifício por toda a humanidade.
 
Quem seguraria o cutelo? Não sei. Talvez o sumo sacerdote. Ou quem sabe a mão invisível do próprio Pai, como no caso de Isaque. E aquele seria um momento de muito arrependimento e muito pesar. E não de espírito de vingança e ódio como foi.
 
Jesus teria que morrer, é verdade, mas não a morte que Ele morreu! Do jeito que Ele morreu! Ele teria que beber o cálice, mas este cálice não teria que ser tão amargo e cruel como foi! A crueldade foi o resultado da ingratidão, da rebeldia e da apostasia do povo, bem como da estratégia de Satanás para fazê-LO desistir de Sua missão.
 
Primeiro Satanás tentou impedi-LO de chegar a cruz na matança dos inocentes em Belém, no deserto da tentação, na oposição dos líderes judaicos, e depois no Getsemane. Ele tentou com todos os meios impedir que Jesus chegasse até a cruz.
 
Como não conseguisse, tentou tornar a cruz o mais humilhante, o mais cruel, o mais sangrento possível para que Jesus desistisse dela. E, ali estava Ele, preste a entrar em Jerusalém para cumprir o propósito pelo qual viera. E, já sentia quase com toda intensidade o gosto amargo do cálice que O aguardava.
 
Ao contemplar a cidade do Monte das Oliveiras Seus olhos por alguns instantes procuram desesperadamente por algum instante aquela Jerusalém ideal. A Jerusalém dos Seus sonhos e dos sonhos de Deus!
 
Mas, o que Ele viu foi apenas a Jerusalém real. Uma cidade mergulhada em pecados. Mergulhada em vícios e cuja religião não passava de mera hipocrisia. De cerimônias formais. Desvirtuadas pelas tradições humanas. Pela ganância e corrupção dos líderes.
 
No exato momento em que a cidade de Jerusalém estava para encontrar o seu momento mais glorioso. O propósito pelo qual fora preparada. E ver o cumprimento de suas mais elevadas expectativas. Ela estava para cometer o pior de seus crimes. E foi por isso que Jesus chorou sobre Jerusalém!
 
Foi o choro dos sonhos frustrados. Da confiança traída. Do amor não correspondido. Foi o choro da decepção, da rejeição. Da esperança perdida. Não que Ele não soubesse que seria assim. É claro que Ele sabia.
 
Por intermédio do próprio profeta Isaías Deus não apenas havia antecipado o fracasso de Jerusalém e de todo o Israel, como também havia predito com detalhes o que aconteceria com Jesus.
 
O profeta evangelista, Isaías, diz:
 
1Agora, cantarei a meu amado uma canção sobre seu vinhedo: Meu amado tinha um vinhedo numa colina muito fértil.
 
2Ele arou a terra, tirou as pedras e plantou as melhores videiras. No meio do vinhedo, construiu uma torre de vigia e, junto às rochas, fez um tanque de prensar. Então esperou pela colheita de uvas doces, mas o vinhedo só produziu uvas amargas.
 
3Agora, habitantes de Jerusalém e Judá, julguem entre mim e meu vinhedo.
 
4O que mais poderia ter feito por meu vinhedo que já não fiz? Por que, quando esperava uvas doces, ele produziu uvas amargas?
 
5Agora lhes digo o que farei com meu vinhedo: Removerei suas cercas e deixarei que seja destruído. Derrubarei seus muros e deixarei que seja pisoteado.
 
6Farei dele um lugar desolado, onde as videiras não são podadas e a terra não é capinada, um lugar cheio de espinhos e mato. Darei ordem às nuvens para que não derramem chuva sobre ele.
 
7A nação de Israel é o vinhedo do Senhor dos Exércitos, o povo de Judá é seu jardim agradável. Ele esperava colher justiça, mas encontrou opressão. Esperava colher retidão, mas ouviu gritos de angústia.” (5: 1 – 7)
Estas palavras retratam com precisão a situação de Jerusalém durante praticamente toda a sua história. Foram poucos os momentos em que ela viveu a altura, ou quase a altura da sua elevada vocação, do seu elevado privilégio. Foram poucos os momentos em que ela esteve bem próxima de cumprir o seu papel evangelístico no mundo ao ser este atraído para ela. A rainha de Sabá foi atraída a Jerusalém por causa da sabedoria de Salomão. Mas, ao invés dele lhe falar de deus, a fonte de sabedoria, diz a tradição judaica que ele a transformou em mais uma de suas amantes.
 
Os embaixadores da Babilônia foram atraídos a Jerusalém por causa da cura milagrosa de Ezequias. Mas, ao invés dele lhes falar do Deus de Israel, do Deus que o curara, ele lhes mostrou os tesouros do Templo.  Pouco tempo depois os exércitos babilônicos vieram para saquear aqueles tesouros.
 
Histórias e mais histórias de fracassos. O que mais se podia fazer a minha vinha, Se pergunta Deus. Bençãos e privilégios como nenhuma outra cidade. Como nenhum outro povo jamais recebeu. Mas, o resultado que Ele recebeu foi que ao invés de produzir uvas boas, eles produziram uvas bravas.
 
Invés de exercer o juízo eles quebrantaram a Lei. Invés de exercer justiça eles produziram clamor. E, por tudo isso, Deus também sabia o que aconteceria quando ele lhes enviasse o Seu próprio Filho.
 
“Foi desprezado e rejeitado, homem de dores, que conhece o sofrimento mais profundo. Demos as costas para ele e desviamos o olhar; […] foram as nossas enfermidades que ele tomou sobre si, […] Ele foi oprimido e humilhado, mas não disse uma só palavra. Foi levado como cordeiro para o matadouro; como ovelha muda diante dos tosquiadores, não abriu a boca. […] Não havia cometido nenhuma injustiça e jamais havia enganado alguém. Ainda assim, foi sepultado como criminoso […] Isaías 53
 
Jesus sabia perfeitamente o que Lhe aguardava. Mas, não era para ser assim! Não precisava ser assim! E, foi por isso que Ele chorou. Ele não conseguia conter o pranto, as lágrimas, diante do fracasso de Jerusalém em reconhecer o tempo da sua visitação.
 
Mas, sabem, o que mais Lhe incomodava não era tanto a dor ou a angústia da própria morte; mas a tristeza de ver a Sua cidade querida, o Seu povo querido naquela situação desesperadora. Tão longe do ideal de Deus!
 
Diz a sra. White que ‘quando Cristo estivesse suspenso da cruz do Calvário, teria terminado o tempo de Israel como nação favorecida e abençoada por Deus. A perda de uma alma que seja é calamidade infinitamente maior que os proveitos e tesouros de todo um mundo; entretanto, quando Cristo olhava sobre Jerusalém, achava-se perante Ele a condenação de uma cidade inteira, de toda uma nação – sim, aquela cidade e nação que foram as escolhidas de Deus, Seu tesouro peculiar.’ (O Grande Conflito – Pag. 21)
 
As lágrimas de Cristo não era uma preocupação de Sua própria morte, mas a expressão do Seu coração partido pela recusa de Jerusalém em reconhecer e aceitar o amor de Deus.
 
Naquela última semana Ele viria expressar toda angústia, toda dor, toda angústia que Lhe esmagava o coração.
 
Mateus 23: 37 – 38: ‘Jerusalém, Jerusalém, cidade que mata profetas e apedreja os mensageiros de Deus! Quantas vezes eu quis juntar seus filhos como a galinha protege os pintinhos sob as asas, mas você não deixou. 38E, agora, sua casa foi abandonada e está deserta.’ Estas palavras quem sabe foram ditas na terça – feira de Sua última semana.
 
Se dermos uma rápida olhada em todo o capítulo 23 de Mateus, veremos que ele consiste em uma severa repreensão aos líderes religiosos de Jerusalém, especialmente os escribas e fariseus.
 
Uma frase se repete muito ao longo deste capítulo: ‘Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas!’ Era deles o dever de preparar a cidade para aquele grandioso momento, o momento de sua visitação. Eles possuíam as Escrituras. Pretendiam conhecê-las. Mas, seus pecados e hipocrisias lhe impediam de fazer aquilo que eles deveriam fazer. Eram guias cegos, que falavam e não faziam. Pregavam, mas não viviam. E, acima de tudo se orgulhavam de sua pretensa religiosidade.
 
Pior ainda foram ter pedido de vista a obra espiritual do messias.
 
O messias que eles aguardavam não passava tão somente de algum líder político – militar. Eles esperavam alguém que pudesse lhes libertar do jugo romano. Restaurar a dinastia de Davi e devolver-lhes a independência, prosperidade e o orgulho nacional.
 
E o resultado não poderia ter sido mais trágico. Como se não bastasse todos os seus pecados e hipocrisias. Eles estavam agora em vias de cometer um dos seus piores crimes. Exatamente a rejeição dAquele a quem tanto aguardavam. Exatamente Aquele a quem tanto anelavam receber.
‘Eis que a vossa casa vos ficará deserta.’
 
Dito e feito. Apenas algumas décadas mais e os romanos marcharam sobre Jerusalém como um rolo compressor. Depois de um cerco de 5 meses as tropas romanas lideradas pelo general Tito conseguiram romper a resistência e forçaram sua entrada em Jerusalém. Destruindo tudo e todos que encontravam pela frente. Homens, mulheres, idosos, crianças, que já padeciam os horrores da fome e da inanição, eram agora mortos ao fio da espádua. Retalhados em indiscriminada carnificina por soldados enfurecidos e sedentos de vingança.
 
Centenas de milhares de judeus pereceram tanto no morticínio como no cerco que se seguiu. Eram tantos mortos amontoados em céu aberto que os soldados tinham que escalar as pilhas de cadáveres para poderem prosseguir em sua obra de extermínio.
 
Tanto a cidade quanto o Templo foram arrasados até os fundamentos. A exceção de 3 torres do palácio de Herodes, nada ficou de pé. Cumprindo assim a profecia de Cristo: ‘não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada’.
 
Triste fim daquela cidade que fora escolhida por Deus para ser a Sua morada na Terra. Triste fim para aquela cidade que foi escolhida por Deus para ser o palco dos atos salvíficos em favor da humanidade. Triste fim daquela cidade em que os profetas chamaram de a cidade alegre. A cidade fiel, a cidade de Deus. E as cicatrizes da apostasia permanecem até hoje.
 
A Jerusalém moderna é uma cidade dilacerada. Dividida até a alma por dois povos que se odeiam mutualmente com ódio mortal.  O templo já não existe. No seu lugar o que se vê hoje é uma mesquita muçulmana.
 
A glória de Jerusalém, a glória do templo se foi e com ela se foram as esperanças de Deus sobre aquele povo que foi o mais abençoado e privilegiado sobre a face da Terra. Mas, sabem, Deus ama Jerusalém. E, por isso, sua memória será perpetuada.
 
Seu tempo como cidade santa, como cidade escolhida há muito já passou. Mas, Deus há de perpetuar a memória daquele nome. E daquele lugar, que foram objeto especial do Seu amor. Palco dos eventos extraordinários do plano da redenção.
 
Lá na Ilha de Patmos, enquanto Jerusalém jazia em ruínas, e o povo de Deus se achava disperso pelo mundo afora, o idoso apostolo João teve uma visão do futuro. Uma visão do dia em que a obra salvífica de Deus será finalmente consumada. Após a destruição definitiva tanto de pecado quanto de pecadores.
 
Nós lemos o relato desta visão no penúltimo capítulo da Bíblia, Apocalipse 21.
Apocalipse 21: 1 – 2 : ‘Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra já não existiam, e o mar também não mais existia. 2E vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, como uma noiva belamente vestida para seu marido.’
 
Tudo será novo, a Terra será nova, o Céu será novo. A Cidade será nova, mas o seu nome ainda será Jerusalém. E, mais do que isto. Ela pousará no mesmo lugar em que um dia estivera edificada a antiga Jerusalém.
 
Diz – nos o profeta Zacarias que o Monte das Oliveiras se partirá em dois, formando uma grande planície. E, sobre esta planície descerá a Nova Jerusalém.
 
Se lermos todo o restante do capítulo 21 e parte do capítulo 22 encontraremos aqui as características físicas da Nova Jerusalém. Vou citar algumas, mantenham suas bíblias abertas:
 
. o seu fulgor será semelhante ao de uma pedra preciosa;
 
. será toda murada, terá 12 portas, 3 de cada lado. Terá 12 fundamentos, sobre os quais estarão os nomes dos 12 apóstolos;
 
. o tamanho da cidade será magnificente, tanto seu cumprimento quanto sua largura e altura serão iguais. O que quem sabe sugere um formato piramidal;
 
. essa cidade será toda de ouro, será adornada com pedras preciosas;
 
. as portas serão de pérolas. Cada porta uma única pérola;
 
. suas ruas serão de ouro puro. Semelhante ao vidro transparente;
. nela não haverá Santuário;
 
. o sol não será mais necessário, pois será iluminada pela glória do próprio Deus. Essa glória será irradiada por todo mundo;
 
. as portas da cidade nunca fecharão, diz o apóstolo, os filhos de Deus terão o livre acesso a ela;
 
. nela nunca mais o pecado voltará a existir;
 
. no meio dela haverá uma praça e no meio dela estará o Trono de Deus. E, dali sairá o rio da água da vida, diz João;
 
. e, nas duas margens do rio estará a árvore da vida, que cada mês produzirá um tipo diferente de fruto;
É claro que esta linguagem é toda estilizada. Não consiste numa descrição literal. É apenas uma forma humana de descrever o indescritível! Palavras humanas são insuficientes para retratar as maravilhas da Nova Jerusalém. As maravilhas que Deus tem preparado para os que O amam. E, para os que O servem.
 
A descrição do Apocalipse significa apenas que todas as nossas mais elevadas expectativas serão totalmente superadas. E, muito!
 
E, então, o sonho de Deus longamente acalentado, se tornará, uma realidade.
“3Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: “Vejam, o tabernáculo de Deus está no meio de seu povo! Deus habitará com eles, e eles serão seu povo. O próprio Deus estará com eles. 4Ele lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. Todas essas coisas passaram para sempre”.
 
Junto com a Nova Jerusalém, o próprio Deus virá e fará morada definitiva com o Seu povo aqui na Terra. Isto significa, irmãos e amigos, que talvez a própria estrutura do Universo será mudada. E o Céu, por assim dizer, passará a ser aqui.
 
O propósito de Deus para com a antiga Jerusalém era de que ela fosse o centro do mundo e esse propósito nunca foi alcançado. Mas, o será em relação a Nova Jerusalém. Mais do que o centro do mundo, ela será o centro do próprio universo.
 
O Trono de Deus será aqui e Deus viverá pessoalmente, fisicamente, entre Seus filhos para todo o sempre. A presença de Deus não mais será representada pela Arca do Conserto.
 
A presença de Deus não mais será velada por dois querubins de ouro, não mais será restrita às paredes dos Santo dos Santos do Templo. Na Nova Jerusalém não haverá mais Templo diz o profeta. A presença de Deus não será mais simbólica e muito menos restrita a um edifício. Deus em pessoa habitará com os redimidos.
 
Serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles, diz João. E esta sem dúvida será a grande benção. Não a sua beleza. Não ao seu resplendor.
 
Nem o fato de que viveremos eternamente, mas a nossa comunhão pessoal e direta com o nosso Deus de amor, o nosso querido Salvador. Estaremos diante de Deus e de Cristo sem que haja nenhum véu, nenhuma cortina que se interponha entre nós e Ele. E isto só será possível porque o pecado não mais existirá e nós voltaremos a refletir a imagem santa e perfeita de Deus com a qual fomos criados.
 
Apocalipse 22: 4: ‘Verão seu rosto, e seu nome estará escrito na testa de cada um.’
 
Que maravilha então será” Trazer na própria fronte o nome de Deus. Num sinal de que pertencemos a Ele. Num sinal de que somos a Sua propriedade e poder contemplar-Lhe a face. Estar em Sua presença sem que isto nos apresente qualquer ameaça, qualquer perigo!
 
A sra. White, em seu livro Testemunhos Seletos Vol 3, página 266 diz: ‘E qual será a felicidade do Céu, senão a de ver a Deus?’  Pergunta ela. ‘Que maior jubilo poderá o pecador, salvo pela graça de Cristo de contemplar a face de Deus  e tê-LO por Pai.
 
Mas, a promessa, irmãos, a promessa por si só não é nenhuma garantia de cumprimento na sua e na minha vida. A nova Jerusalém será uma realidade, mas você e eu poderemos ficar de fora de suas alegrias.
 
A antiga Jerusalém nunca se transformou de fato a cidade dos sonhos de Deus por causa do excesso da sua confiança própria. Por causa dos muitos pecados de seus habitantes. Eles também não conheceram o tempo da sua visitação. Absortos em si mesmos em sua religião de formas e aparências, eles não conheceram o Filho de Deus quando este veio em forma humana e com a aparência humilde e sem qualquer ostentação.
 
Eles aguardavam o Messias, mas o Messias que aguardavam não era senão uma caricatura segundo a sua própria imaginação e não segundo a Palavra de Deus. E, por isso O rejeitaram. Quando chegou o grande momento eles não estavam prontos.
 
Sequer O reconheceram. Rejeitaram o dom supremo de Deus. E com isto apenas completaram a longa lista de pecados praticados por seus antepassados.
 
Queridos irmãos, alunos, não corremos o mesmo risco? Não estamos nós correndo o risco de perder de vista a essência da religião, que é a comunhão intima e pessoal com Deus e nos apegarmos a formas e aparências? Não estamos nós em perigo de embora aguardando o segundo advento de Cristo não estarmos prontos para quando Ele vier?
 
O maior pecado de Jerusalém foi de fato a rejeição de Cristo. Mas, isto não aconteceu no vácuo, de uma hora para outra. Uma série de outros pecados prepararam o terreno para o pecado maior da crus e o tornaram praticamente inevitável.
 
A substituição da Palavra de Deus por tradições humanas. O descaso com a essência da religião que é o relacionamento pessoal com Deus. A adoção de uma religião hipócrita e sua acomodação aos gostos e preferências pessoais. E como se tudo isto ainda não bastasse, a ideia de que o simples fato de pertencer ao povo escolhido de Deus já era suficiente para garantir a benção e a proteção divina. Tudo isso acabou impedindo de Jerusalém conhecer o tempo da sua visitação. E, culminou com a rejeição de Cristo.
 
Não estamos nós também, de uma forma ou de outra, praticando esses mesmos pecados? Não estamos nós praticando os mesmos erros da antiga Jerusalém e indo na mesma direção que ela?
 
Quantos de nós não tem minimizado a importância da Palavra de Deus, do claro assim diz o Senhor? E substituído essas revelações por nossas próprias ideias? Nossas próprias opiniões acerca da religião? É comum em nosso meio, ‘eu acho que’, ‘eu acho assim’… É a tirania do achismo! E aquilo que Deus diz é deixado de lado!
 
Quantos de nós não tem procurado acomodar a vontade de Deus às nossas necessidades e conveniências pessoais? ‘Não, não precisa ser bem assim, Deus vai Se satisfazer …’ É a tirania do relativismo! Relativizamos tudo na religião!
 
Quantos de nós não tem adotado uma religião de formas e aparências em detrimento da Bíblia e da oração e de um relacionamento íntimo e pessoal com Deus!  É a tirania da hipocrisia!
 
E o pior de tudo, quantos de nós não tem cometido o erro de imaginar que o fato de pertencermos a igreja remanescente, ao povo da profecia, já é suficiente para garantir a salvação e a vida eterna!
 
Se fôssemos resumir os pecados de Jerusalém em apenas 3 palavras, os pecados que conduziram a rejeição de Cristo, essas 3 palavras seriam: desobediência, hipocrisia e presunção.
 
Não estamos nós, de uma forma ou outra incorrendo nesses mesmos erros? Irmãos isto significa apenas uma coisa, nós também corremos um sério risco de não reconhecer o tempo da nossa visitação. E não estarmos prontos quando Cristo voltar.
 
As lágrimas que Jesus derramou no Monte das Oliveiras, ao contemplar a cidade escolhida, devem produzir em nós uma profunda reflexão.
 
Estamos, queridos, às portas da Nova Jerusalém. Só mais um pouco e Aquele que há de vir virá para consumar a sua obra de redenção. O plano de Deus, de ter para Si um povo santo para que Ele possa habitar livre e pessoalmente no meio do Seu povo e para todo o sempre, será uma realidade.
 
Até porque a consumação final desse plano não depende de nós. Mas, única e exclusivamente do poder e da vontade de Deus.
 
A pergunta, portanto, não é se haverá ou não uma nova Jerusalém. Mas, se você e eu estaremos lá.
 
A pergunta não é se o plano de Deus vai se concretizar, mas se nós, individualmente, teremos parte nele.
 
E hoje, hoje é o momento de decidirmos onde e com quem desejaremos passar a eternidade. Hoje é o momento de decidirmos o que queremos para a nossa vida. O que queremos para o nosso futuro. Eu os convido a olhar, com os olhos da fé, para a Nova Jerusalém.
 
Olhemos, com os olhos da fé, para aquelas maravilhosas bênçãos e permitamos que esta visão nos cative, nos toque o coração e nos leve a um completo preparo, um preparo definitivo que nos leve a viver esta realidade. Mas, não apenas por causa das ruas de ouro, as portas de pérolas ou do fruto da árvore da vida. Também não apenas porque ali não haverá mais lágrimas ou morte.
 
Mas, acima de tudo porque estaremos na presença santa de Deus e nosso querido Salvador. Este é o sonho de Deus. Façamos dele também o nosso sonho. Vivamos por ele em nome de Jesus. Pela graça e poder de Deus.
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2 respostas para A Cidade dos Sonhos de Deus

  1. Pingback:Ano Bíblico 364º e 365º Dias – A Cidade dos Sonhos de Deus – Nossas Letras e Algo Mais

  2. Iolanda Diniz diz:

    Que palavra marcante… Obrigada!

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